Quando escolhi ser dermatologista, a especialidade incluía, inclusive, a terminologia “Sifilografia”, devido às inúmeras manifestações cutâneas da Sífilis. Cuidar da pele significava dominar a especialidade da Medicina com o maior número de doenças catalogadas. Significava, também, dominar a área de Patologia, para, ao observar uma biópsia de pele, reconhecer a arquitetura celular que diagnosticaria uma doença. Era preciso entender e conhecer muito bem a clínica médica, pois muitas doenças sistêmicas iniciam seu quadro com sintomas cutâneos. Era preciso saber absolutamente tudo sobre fungos, imunobiológicos e controle de doenças graves.
Ainda é preciso dominar tudo isso. Ainda é desafiador ser uma excelente dermatologista. Se não houvesse o desafio, talvez eu já tivesse mudado de área. Sem dúvida, a maior evolução, ao longo dos meus 15 anos como dermatologista, foi observar o crescimento e a evolução da Dermatologia Estética, que chamamos de Cosmiatria. Hoje, conhecemos como nunca o que chamo de “Anatomia do Envelhecimento”. Se há 10 anos a abordagem da perda óssea, muscular e de pontos de sustentação era mínima, hoje sabemos exatamente como abordar: quando, onde e como. É um privilégio viver numa época em que, com procedimentos minimamente invasivos, podemos transformar a evolução do envelhecimento facial, dando ao rosto um aspecto mais descansado, mesmo que estejamos sempre cansados por conta da vida moderna e suas muitas obrigações.